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História do Motociclismo

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Sansão
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História do Motociclismo

Mensagem  Sansão em Qui Set 03, 2009 6:53 pm

História do Motociclismo Parte 1 Primórdios:


Todos nós devemos muito a este cidadão em cima. O nome dele é Gottlieb Daimler, ele viveu entre os anos de 1834 e 1890 e... inventou a motorizada!
Para chegarmos às verdadeiras fontes do motociclismo, é indispensável um passeio pela Europa do século XVIII, época de nobres e aristocratas ávidos por passatempos modernos, um ambiente favorável aos mais variados tipos de invenções. Muitas delas eram pura vigarice, pedras de gelo do Pólo Norte, árvores do dinheiro e outras mentiras do género. A luz verde do transporte em duas rodas acendeu primeiro em França, em 1790, quando o criativo (e riquíssimo) Conde de Sivrac uniu duas rodas do mesmo tamanho por meio de uma pequena tábua de madeira, onde o "condutor" se sentava. O movimento era dado apoiando alternadamente os pés no chão. O estranho veículo, baptizado de celerífero, foi um sucesso imediato e logo virou mania, especialmente entre a "jovem guarda" da ocasião, apesar das dificuldades para aponta-lo para a direcção desejada...
Em 1817, outro nobre, o alemão Barão Drais aperfeiçoou o celerífero, instalando um eixo vertical e um "garfo" na roda dianteira, o que permitia "guiar’ o engenho. Ele rebaptizou o veículo como Draisiene, e vendeu muitas unidades da sua versão "Franco-Alemã" da bicicleta. Logo depois apareceu o biciclo, um primitivo velocípede, outra tentativa de invenção do Barão Drais, com roda traseira de diâmetro diferente, para que a rudimentar pedalada rendesse mais impulsão ao veículo.

Cinquenta anos mais tarde, o inglês Lawson (seria um ancestral do norte americano Eddie Lawson?) inventa a transmissão por corrente e o selim (ufa!), ao passo que em 1885 é lançada a lendária Rover, de JJ Starley, a grande sensação entre os poderosos da Europa. Reis, Rainhas e Imperadores não dispensavam um "rolé" de Rover, um brinquedo caro, mas de grande potencial como meio de transporte, especialmente em descida.

No século XIX, em plena era industrial, a engenharia Europeia tentava de tudo para motorizar o biciclo (ou qualquer coisa que se movesse). Os motores já existiam, mas eram estacionários, enormes e de funcionamento precário. Os propulsores "funcionavam" tendo como "combustível" a pólvora, ar comprimido, electricidade (com baterias) , acetileno, corda (tipo relógio), a gás ou a vapor. Eram engenhocas gigantescas, impróprias para montagem em veículos, a tracção animal ainda era o meio de transporte do momento.


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"...para ser Laranjinha não é preciso muito...apenas paixão pelo desporto motorizado, espírito de equipa, sacrifício e muita vontade de fazer a festa..."
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Sansão
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História do Motociclismo Parte 2 Desenvolvimento

Mensagem  Sansão em Qui Set 03, 2009 7:02 pm

Como tudo começou.
O alemão Gotlieb Daimler pode ser considerado o "pai do motociclismo". Nasceu em Cannstatt, perto de Estugarda, e desde pequeno mostrou uma inclinação especial para os desafios da engenharia mecânica. Depois de se formar, Daimler passou a trabalhar na Gasmotoren-Fabric Deutz, dirigida pelo famoso engenheiro Nikolaus Otto, o inventor do motor de ciclo Otto. Daimler tinha projectos diferentes em mente, o que desagradou o patrão, que o pôs no olho da rua, mesmo pagando uma grande indemnização.

(Uma panorâmica da primeira oficina de motos de todos os tempos, na verdade a garagem de Gottlieb Daimler.)

Essa verba permitiu que Daimler passasse a pensar exclusivamente nos seus inventos. Daimler convenceu o seu ex-colega de Deutz, Wilhelm Maybach a trabalhar com ele numa oficina improvisada no quintal de sua casa em Cannstatt. Já em princípios de 1855 surgia a primeira criação conjunta, um motor de 264 centímetros cúbicos com meio cavalo de força a 500 rotações por minuto, dimensões inéditas para o que se fazia até então. Esse motor, denominado carrilhão, era movido a gás, mas Maybach desenvolveu um flutuador de carburador, introduzindo a gasolina como combustível.

Mas na época, ninguém usava gasolina, o risco de explosões era enorme, o que levou a dupla de inventores a informar que o carrilhão era movido a gás e petróleo, o que evidentemente não correspondia à realidade. Depois de alguns estragos, e para a alegria da vizinhança, o motor passou a funcionar bem. O próximo passo era adapta-lo a um veículo. Foi aí que se pensou no biciclo, veículo que se adaptava muito bem à situação , além de ser de fabrico simples, prático e barato; o dinheiro da indemnização da Deutz estava a chegar ao fim.

Um propulsor Dedion Bouton.

Em 29 de Agosto de 1885, Daimler obtém o registo número 36.423, do Departamento Imperial de Patentes. O seu invento, baptizado de Einspur, mais parecia um biciclo para crianças, com o tradicional chassis de madeira e rodas de apoio. Mas o que mais chamava a atenção era o motor, que gerava 0,5 cavalos de força a 600 rotações por minuto. Em Novembro desse ano, o teste final do novo veículo, que percorreu os três quilómetros que separam a cidade de Cannsttat da vizinha Unterturkheim em meia hora, a uma velocidade média de 6kmh. Com o sucesso do teste, Daimler e Maybach deram por cumprida sua missão de locomover um veículo mediante o uso de um motor.

Ao que consta, Daimler nunca teve em mente um modelo específico de veículo. Depois da aprovação do motociclo, os seus pensamentos dedicaram-se ao aproveitamento do motor para a locomoção aérea e marítima, acabando por fixar-se no desenvolvimento de um veículo de quatro rodas, o embrião do automóvel. Ainda hoje pode ser visto um exemplar réplica do primeiro motociclo, este em exposição permanente no Museu de Munique.

A Orient, a primeira moto fabricada nos EUA.

O projecto do motociclo teve que ser, por assim dizer, "reinventado" em 1894, pelos alemães Heinrich Hildebrand e Alois Wolfmuller. Foram eles que empregaram, pela 1ª vez, a expressão "Motor Rad" ("Roda Motorizada"). No prospecto de apresentação do 1º motociclo fabricado em série, os inventores anunciavam, orgulhosos: "Em testes especiais, é possível elevar a velocidade a uns 60 km por hora. Mas quem ousaria andar a tal velocidade?" E de facto, inicialmente foram poucos os compradores do Motorrad, que com uma cilindrada de 1500cc, já desenvolvia uma potência de 2 cavalos de força.

O novo veículo tinha alguns problemas crónicos, como a ignição, que frequentemente falhava em plena marcha. Só mais tarde é que a ignição por tubo incandescente foi substituída pela magnética, melhorando substancialmente o rendimento do veículo. Mas nessa altura a fábrica tinha que pagar uma série de empréstimos anteriores, e os sócios acabaram por fechar as portas, em 1897.

Mas naquele mesmo ano, os Werner, irmãos Franceses que seguiram os passos dos engenheiros alemães, decidiram tentar a sorte no nascente mercado das Motorrad. Foram os Werner que criaram a expressão motocicleta, baptizando o 1º motociclo fabricado fora da Alemanha. O sucesso imediato despertou o interesse de outros engenheiros e inventores, impulsionando o novo segmento. Com amplo apoio do governo, surge, ainda em 1897, a marca italiana Bianchi.


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História do Motociclismo Parte 3 Competição

Mensagem  Sansão em Qui Set 03, 2009 7:13 pm

Os ingleses apaixonam-se pelo motociclo e organizam a primeira corrida, baptizada de Motorcycle Scrambles, que aconteceu no dia 29 de Novembro de 1897 em Surrey, subúrbios de Londres. Era o nascimento do motociclismo de competição, nos seus anos mais românticos.

Um raríssimo flagrante: Fausto Macieira nos treinos livres para a Motorcycle Scrambles. Infelizmente a imensa correia do seu protótipo partiu e nem na oficina de Gottlieb Daimler havia uma sobressalente.

No ano seguinte, os ingleses, os todo poderosos de então, entram no novo mercado a valer. O engenheiro James Norton lança sua própria marca, a Norton, que ficaria famosa ao vencer a primeira prova de motociclismo no lendário "Tourist Trophy", circuito de estrada da Ilha de Man, na costa da Inglaterra.

A estes pioneiros do motociclismo os nossos entusiasmados agradecimentos, pela criação de tão maravilhoso engenho. Os ingleses têm um ditado sobre as motos: "If there is anything better than a motorbike, God must have kept for him in heaven"(Se existe algo melhor do que uma moto, Deus guardou-o para seu uso no céu).

Os primeiros tempos da moto não eram nada fáceis.

Paralelamente aos primórdios das motos, outras invenções que foram aparecendo muito contribuíram para que elas (e também o automóvel) se desenvolvessem. Assim, em 1887, um tal John Boyd Dunlop, veterinário Escocês, preocupado em melhorar as vibrações das rodas (de madeira) do triciclo do seu filho, imaginou uma espécie de sobre roda, feita de um tubo de borracha oco, prendeu-a na roda com uma embalagem de tela e encheu-a com uma bomba de ar. Era o nascimento do pneu, tendo um veterinário como pai. Como diriam os lutadores do Vale Tudo, esse John B. Dunlop era...o Bicho! Dunlop patenteou o invento em 1888, voltado para a bicicleta, mas ao montar a sua indústria verificou que um inventor chamado R.W. Thompson já patenteara algo semelhante, nos idos anos de 1846! Apesar das dificuldades, a fábrica Dunlop de Pneus seguiu em frente e actualmente é um dos maiores fabricantes de pneus do mundo, ainda que sob o controle japonês.

Em França, os irmãos Michelin também contribuíram para o rápido aperfeiçoamento dos pneus. Corria o ano de 1889 eles trabalhavam numa tecelagem , quando lá apareceu um ciclista com ambos os pneus destruídos. Naquela época os pneus (Dunlop) eram fixos, presos à roda por meio de tiras de pano, que se rompiam facilmente com as irregularidades do caminho. Para recosturá-las eram necessárias mais de 3 horas, fora o tempo de secagem. Era urgente a invenção de um sistema de reparo que demorasse apenas uns poucos minutos.


O cartaz de um mega evento da época.

Os irmãos Michelin estudaram com profundidade o problema, e 3 meses mais tarde construíram um pneu que se fixava ao aro através de 17 cavilhas, bastavam cerca de 15 minutos para ser desmontado e substituído. O novo pneu foi testado na 1ª grande prova de velocidade ciclística, em 1891. O vencedor percorreu os incríveis 1208 quilómetros, em 71horas e 30 minutos, com 8 horas de vantagem sobre o 2º classificado, um dos melhores ciclistas da época. Para manter os concorrentes acordados durante o inacreditavelmente longo percurso, os treinadores soavam enormes campainhas junto aos seus ouvidos.

Animados, os irmãos Michelin organizaram uma corrida de Paris a Clermont Ferrand, e para demonstrar a eficiência do seu produto, espalharam secretamente na estrada uma grande quantidade de pregos. Foram ao todo 244 furos, reparados em menos de 3 minutos, em média. Reparem que já naquela época existiam organizadores de corridas movidos por outros interesses que não o desportivismo... mas os pneumáticos desmontáveis tinham provado de uma vez por todas que haviam chegado para ficar.

Com os progressos da engenharia, fábricas de motos proliferavam por todo o mundo. Antes do virar do século, as Inglesas Ariel (1893), Royal Enfield (1898) e Matchless (1899), disputavam espaço com a Belga Sarolea (1898) e as Francesas Clement (1898) e Peugeot (1899). Os alemães entram na luta com a NSU (1901), e em 1903 surge a lendária Harley-Davidson, um ícone do motociclismo norte-americano que influenciou muitas gerações de motociclistas.


Uma Puch dos anos 20

A maioria das marcas do início do século 20 eram produzidas de forma artesanal, e muitas acabaram por fechar as portas por conta das guerras e dos rigores da florescente economia internacional. Uma das histórias mais interessantes é a da inglesa Brough-Superior, conhecida como o Rolls-Royce das motos, classificação que deu origem a um processo judicial da Rolls, que depois o retirou espontaneamente, satisfeita com o alto nível da B. Superior e com a associação de conceitos dos seus automóveis. O famoso oficial inglês Lawrence da Arábia, depois de uma vida super perigosa e atribulada, veio a falecer num acidente com uma dessas, no quarteirão da sua mansão nos arredores de Londres. Aficionado por motos, ele possuía outras 6 motos da marca.

Em 22 de Dezembro de 1904 surge a Federação Internacional de Motociclismo – FIM, mas foi somente no pós guerra que começaram a ser disputados os campeonatos mundiais de motociclismo, modalidade velocidade, categorias 125, 250, 350, 500 e side car 500cc, no ano de 1949. No motocross, o torneio das nações aconteceu pela 1ª vez em 1947, e 10 anos mais tarde, o 1º mundial de cross, na categoria 500cc, vencido pelo sueco Bill Nilsson. O maior campeão da história do motociclismo é o italiano Giacomo Agostini, com 15 títulos mundiais, 7 na extinta categoria 350cc e 8 na 500cc.


A estranhíssima Millet, a tetravó da Honda RCV211V de motogp, uma pentacilíndrica.

Aqui fica um texto para dar a conhecer os primórdios do motociclismo, espero que seja util para todos e se encontrarem mais informações acerca da história do motociclismo estejam á vontade para as partilhar com todos.

Abraços Laranjinhas. Henrique Piedade


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