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História do Autódromo do Estoril

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Sansão
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História do Autódromo do Estoril

Mensagem  Sansão em Qui Set 03, 2009 6:40 pm



Tinha visto um Autódromo no Brasil e lembrou-se de construir também um cá, em Portugal. Conhecia aqueles terrenos que pertenciam ao seu amigo Lúcio Tomé Feteira e onde a Câmara não queria autorizar mais nada do que a implantação de uma “zona verde”. Ora, construir uma “cidade verde” num local cheio de rocha era uma má ideia e como tal Fernanda Pires da Silva comprou os terrenos e entregou, em 1968, um projecto para a construção de um autódromo. As aprovações na Câmara iam tardando, tudo esbarrava nas teias da burocracia, então Fernanda resolveu começar imediatamente as construções! As obras foram difíceis. Havia que adquirir pequenas parcelas anexas ao terreno principal; o local onde se implantaria a pista estava colocado por cima de uma pedreira de mármore, etc, etc. Foi contratado o arquitecto brasileiro Ayrton Cornelson, já autor de obras idênticas na Europa, em África (Luanda, p.ex.) e no Brasil. Joaquim Filipe Nogueira seria o principal promotor da obra e aquele que mais parecia acreditar que em breve a pista estaria pronta a ser usada. Em Junho de 1972, Após a disputa das duas primeiras provas do Campeonato Nacional de Velocidade (as rampas da Pena e da Covilhã), foi finalmente inaugurado o Autódromo do Estoril, mas, ainda hoje, quando recuamos a 1972 e pensamos como ele apareceu, temos a certeza de que o seu nascimento só pode ter sido… O sonho de uma mulher, Fernanda Pires da Silva.
Havia finalmente uma pista permanente em Portugal Continental! Mas parecia inacabada e desde logo se levantaram algumas questões pertinentes: o local de implantação não parecia o mais adequado, pois era um “descampado” onde estava sempre muito vento; a pista parecia estreita, os "rails" de protecção estavam demasiado perto da pista, e não tinha escapatórias – é verdade, mas os rails foram colocado onde os delegados da FIA mandaram!; apoio à imprensa parece que não havia. Durante os 3 dias de prova não foi distribuído aos jornalistas qualquer comunicado a tempo e horas; nas boxes havia muita gente sem tarefa útil e passeavam-se por lá vários “familiares” de directores. Em contrapartida, aos jornalistas que pretendiam trabalhar eram colocados vários entraves e problemas burocráticos; parecia não haver serviços de incêndio e emergência médica capazes; os comissários desportivos e de pista pareciam não conhecer bem os regulamentos; amontoavam-se os materiais de construção ao longo do traçado e das 3 variantes previstas ainda só estava concluída uma, bem como as bancadas interiores que ainda não estavam prontas.
Para esta jornada inaugural do Autódromo, foi escolhido um programa de cinco provas, com algumas presenças de pilotos estrangeiros. Para a história, recordamos que antes de começarem as corridas, a volta inaugural ao circuito foi feita pelo Rolls Royce do Presidente da República, Almirante Américo Thomaz.


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